"Aprende a desprezar as coisas exteriores, aplica-te às interiores e verás como vem a ti o Reino de Deus."

27 junho 2014

Ao Sagrado Coração De Jesus



No santo sepulcro, Maria Madalena,
Buscando seu Jesus, inclinava-se chorando.
Os Anjos queriam suavizar sua pena,
Mas nada podia acalmar sua dor.
Não éreis vós, luminosos Arcanjos,
Que esta ardente alma vinha procurar.
Ela queria ver o Senhor dos Anjos,
Tomá-Lo em seus braços, pra longe O levar...


Junto do Túmulo, ficou a última,
E para lá tinha ido antes da aurora.
Escondendo sua luz, também veio o seu Deus;
Maria não podia vencê-Lo em amor!
Mostrando-lhe, primeiro, sua Face bendita,
Uma só palavra sai do Coração.
Murmurando o nome tão doce de: Maria,
Jesus lhe restitui a paz, a felicidade.


Um dia, meu Deus, como Madalena,
Eu quis te ver, aproximar-me de ti.
Meu olhar mergulhou na imensa planície
Por onde buscava o Mestre, o Rei.
E eu exclamava, a ver a onda pura,
O azul estrelado, as flores, os pássaros:
“Se a Deus eu não vir em ti, esplendorosa natureza,
Para mim não serás mais que um túmulo”.


“Preciso de um coração ardente de ternura,
Que permaneça sempre o meu apoio,
Que em mim ame tudo, até minha fraqueza,
Que nunca me deixe, nem de dia, nem de noite.”
Não pude encontrar nenhuma criatura,
Que sempre me amasse sem nunca morrer.
Preciso de um Deus que assuma minha natureza,
Que se torne meu irmão e que possa sofrer!


Tu me escutastes, meu Único Amigo a quem amo!
Para raptar-me o coração, fazendo-te mortal,
Derramaste teu sangue!
Mistério supremo!
E ainda vives por mim sobre o altar...
Se não posso ver o esplendor de tua Face,
Escutar tua voz, cheia de doçura,
Eu posso, oh, Deus meu, viver de tua graça,
Repousar sobre teu Sagrado Coração!


Oh, Coração de Jesus! Tesouro de ternura!
És tu a minha ventura, minha única esperança
Tu que soubeste encantar minha tenra juventude,
Fica comigo no declinar do último dia.
Senhor, para ti somente eu dei minha vida,
E meus desejos te são bem conhecidos:
É em tua bondade sempre infinita
Que quero perder-me, Coração de Jesus!


Ah! Bem sei que todas as nossas justiças
Não tem qualquer valor ante teus olhos.
Para dar valor aos meus sacrifícios,
Quero lançá-los no teu Coração.
Não encontraste perfeitos sequer os teus Anjos:
Em meio a relâmpagos deste tua lei!...
Em teu Sagrado Coração, Jesus, eu me escondo.
Não tenho receio: minha força és Tu!


A fim de poder contemplar a tua glória,
Bem sei é preciso passar pelo fogo.
Quanto a mim, para meu purgatório, eu escolho
Teu Amor ardente, oh, Coração de meu Deus!
Minha alma exilada, deixando esta vida,
Quereria fazer um ato de puro amor
E, depois, voando para o Céu, sua Pátria,
Entrar no teu Coração para sempre.

Poesia composta por Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face
Obras completas- Poesia 23, pág.567



20 junho 2014

PARA VIR A GOSTAR DE TUDO


Para vir a gostar tudo,
Não queiras ter gosto em nada.
Para vir a saber tudo,
Não queiras saber algo em nada.
Para vir a possuir tudo,
Não queiras possuir algo em nada.

Para vir ao que não gostas,
Hás-de ir por onde não gostas.
Para vir ao que não sabes,
Hás-de ir por onde não sabes,
Para vir a possuir o que não possuis,
Hás-de ir por onde não possuis.
Para vir ao que não és,
Hás-de ir por onde não és.

Quando reparas em algo,
Deixas de arrojar-te ao todo.
Para vir de todo ao todo,
Hás-de deixar-te de todo em tudo.
E quando o venhas de todo a ter,
Hás-de tê-lo sem nada querer.

Nesta desnudez acha o espírito o seu descanso
Porque não cobiçando nada,
Nada o afadiga para cima e nada o oprime
para baixo porque está no centro
da sua humildade.

(Poesia São João Da Cruz)

Corpus Christi



Chama viva de amor - poesia

“Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe, 
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.

Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
- que estava escuro e cego, -
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!

Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”

(Poesia São João da Cruz)