"Aprende a desprezar as coisas exteriores, aplica-te às interiores e verás como vem a ti o Reino de Deus."

16 abril 2011

Os Anjos na missa e ensinamento. mensagem de Nossa Senhora




Catalina ( em português Catarina) R. é uma vidente da Bolívia, que tem os estigmas da Paixão do Senhor.
Vou abreviar, colocar aqui alguns extractos revelados por Catarina recentemente.
“Um dia, a Virgem Santíssima – nesse ensinamento, no Seu itinerário em que me ia ensinando tudo - disse-me:
“Quero que saibas o que é a Santa Missa…Hoje vai ser um dia de ensinamentos: vais aprender muitas coisa, e quero que as transmitas a todos os Meus filhos…”
Chegou a Oração Penitencial, e a Virgem Santíssima disse:
“Por favor, põe-te na presença do Senhor, e pede-Lhe, de todo o coração, que te torne merecedora de estares presente nesta Santa Missa.
Chegaste á ultima da hora…,sem teres preparação prévia! Porque chegas á santa Missa á última da hora? Tendes de chegar uns momentos antes, para vos pordes na presença de Deus, para pedires ao Espírito Santo que venha até vós, que envie o Seu amor, que envie o Seu Espírito de paz, para poderdes tirar o maior proveito possível da santa missa”.
Chegou a Liturgia da Palavra e a Virgem Maria disse:
“Está atenta, por favor, escuta…É para ti, um momento muito importante.
A Palavra do Senhor diz que a Sua Palavra não regressa a Ele sem ter dado frutos. Por isso, se prestares atenção e durante o dia, estiveres atenta a algumas coisas ou a tudo o que foi dito nas Leituras, vais saboreando essa Palavra de Deus ao longo do dia; Ela vai dar frutos em ti.
Por isso, presta atenção a esta parte.”
Quando chegar o Ofertório, Nossa Senhora disse logo:
“Olha…” (OS ANJOS DA GUARDA)
A igreja começou a encher-se de Seres belos, com luz nos seus rostos – Vamos lá ver se consigo descrever essa visão! Uns Seres altos, belos – tão belos que até tinham traços femininos. Uns de cabelos compridos, outros de cabelo curto; uns com cabelos finos e corredios, outros com cabelos crespos (riçados), morenos, loiros; mas com rostos muito bonitos, muito bonitos.
Puseram-se em fila, ao centro, e começaram a aproximar-se do altar. Uns levavam uma espécie de patena, algo que brilhava muito: aproximavam-se felizes…;outros iam de braços caídos, e não tinham nada nas mãos; e atrás, iam outros de cabisbaixos, com as mãos postas em oração, mas muito tristes, envergonhados.
Disse Nossa Senhora:
“São os Anjos da Guarda de cada um dos que estão aqui”
E, logo a seguir, acerca dos anjos felizes que levavam a patena brilhante, disse:
“…Na altura em que levais as vossas ofertas ao altar de Deus para se juntarem á oferta que o Sacerdote faz do vinho, da agua e do pão – que depois se vai transformar no Corpo e no Sangue do Senhor – também a vossa oferta se converte numa oferta de amor. È que vós, por vós mesmos, não tendes nenhum mérito, porque sois criaturas miseráveis; mas os vossos oferecimentos, os vossos pedidos, as vossas ofertas a Deus Pai – unidas ao Sacrifício redentor de Jesus Cristo, unidas ao Seu Corpo nesse momento da Transfiguração – têm um valor imenso perante Deus Pai…Só assim se justifica a vossa passagem pela Terra: pelos méritos de Jesus.
Os Anjos que têm os braços caídos são das pessoas que não têm nada para pedir, nem nada para oferecer.
A MISSA tem um valor infinito…Entende bem isso! Vós não sabeis o valor que a Missa tem; ides compreendê-lo, mas quando estiverdes do outro lado…Pedi por vós mas não sejais egoístas: lembrai-vos do vizinho, dos pobres, dos necessitados, dos pecadores, dos políticos, dos presos, dos doentes….
Pedi , pedi muito mas oferecei também, porque isso agrada ao Senhor: oferecei a vós mesmos por Ele faça a Sua vontade em vós, para que vos possa transformar, para que vos possa tornar outros Cristos.
Os ANJOS que vão de cabisbaixos, com as mãos postas, envergonhados são os anjos das pessoas que apesar de estarem na missa, andam com a mente a vaguear, não estão com atenção. Então os seus anjos sentem vergonha, porque nem sequer deviam estar ali: não só não participam na Missa como ainda envergonham os seus anjos…o seu ANJO DA GUARDA; e estão ofender o Senhor”.

“No momento em que começava o “sanctus”, e toda a assembleia dizia: “Santo, santo, santo, Senhor Deus do universo….”, Desapareceu de repente tudo o que estava por trás do Sacerdote: paredes, tecto, tudo, tudo, tudo….Á esquerda do Sacerdote, na direcção de uma esquina, em diagonal com o Sacerdote relativamente ao seu braço esquerdo, estava uma multidão de ANJOS: anjos pequenos, anjos grandes, anjos com asas, anjos sem asas; seres belíssimos, em quantidade infinita, a cantarem em diversos coros a melodia mais bonita que possais imaginar.
Todos repetiam: “Santo, santo, santo, Senhor…”, com as mãos postas, enquanto se prostravam ajoelhados.
Do outro lado do Sacerdote, da direito para trás, estava uma multidão de seres: eram os Santos bem-aventurados do Céu. Nossa Senhora disse-me que quando se oferece a Missa e se reza pelos defuntos e se vão nomeando mentalmente, o Senhor concede a graça de, nesse momento, eles se tornarem presentes. Ela disse-me:
“Pede pelo teu pai, pela tua avó; pede pelos teus”.
E eu podia vê-los todos ali. Tinham como chefe São José. Estavam muito perto do braço do sacerdote.
A Virgem Santíssima estava de joelhos, á direita do altar, numa atitude de respeito, de veneração de adoração, escutando atentamente tudo o que o sacerdote dizia. Estava com as mãos postas, de joelhos, á espera do momento para adorar a Santíssima Trindade.
O Sacerdote pronunciou as palavras da Consagração… e deixei de ouvir a sua voz. De repente era a voz de Jesus: era Ele próprio que ia repetindo: “Tomai e comei…”.
Diante do altar, na parte da frente, acendeu-se de repente como que um fogo, umas chamas muito brilhantes de cor vermelho dourado. Eu não conseguia ver a cara das pessoas: eram sombras de gente, sombras tristes, (cinzentas), com os braços levantados para o alto. E Nossa Senhora disse:”São as almas do purgatório, que estão á espera de uma oração vossa para as tirardes de lá. Rezai por elas, porque, quando elas saem do Purgatório, rezam por vós e ajudam-vos.
“Durante a Consagração, quando o Sacerdote levantava a Santa Hóstia, o seu rosto começou, de repente, a brilhar muito, muito,…até se ver luz forte, uma luz muito branca, mas branca e dourada. Ao mesmo tempo o corpo do Sacerdote – ele era baixito – foi-se transfigurando: tornou-se, de repente, num homem alto – porque JESUS era um homem robusto e bonito…reparei quando Ele levantou a Santa Hóstia e Lhe vi as chagas: não era o sacerdote, era Jesus que estava ali no lugar dele…Era o próprio Jesus; e o Seu corpo envolvia o corpo do sacerdote. E disse-me Nossa Senhora:
“NUNCA REPARES SE O SACERDOTE È BOM OU MAU. Se o Sacerdote é como é pecador, ele é que tem de dar contas a Deus…Vós atendei a que as mãos de um sacerdote estão consagradas e que, por isso, não é o sacerdote: o sacerdote torna-se”O próprio Cristo”; é de facto, a pessoa de Cristo.
Os dedos consagrados dos sacerdotes serão reconhecidos no Purgatório e, até no inferno; e arderão com um fogo especial. Todos os hão-de reconhecer e censurar”.
Quando a Santa Hóstia foi levantada, uma luz brilhante poisou n’Ele, e era o próprio Jesus que se punha na Santa Hóstia.
Quando ides receber a Santa Hóstia, não é só a Jesus que recebeis: recebei a Santíssima Trindade.
Quando o sacerdote elevou o cálice, houve relâmpagos, ouviram-se trovões; era uma escuridão terrível: Vi Jesus crucificado, com o rosto muito deformado, muito ferido, a sangrar…Do Seu peito saía sangue e água, e caía no cálice e caía abundantemente para o cálice e não se vertia.
Quando o Sacerdote estava a consagrar o cálice, saiu da grande Luz por cima de Jesus crucificado, saiu uma ave, uma ave pequena, uma coisa de luz, que foi poisar no ombro do sacerdote e em Jesus. É que por cima de Jesus crucificado havia uma Luz muito brilhante, enorme. Eu não consiga ver a cara, mas via as mãos, umas mãos abertas para os lados, como a indicar-nos:”Este é o Meu amado Filho…Este é o Meu Filho…repara no que estás a contemplar”.Dei-me conta que era Deus Pai, que eram as mãos dele, e que, nesse momento, estava presente a Santíssima Trindade.
Nossa Senhora pediu-me para rezar pelo Sacerdote celebrante. Na altura em que se reza pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, pelo Povo de Deus, …, nesse momento e no momento em que o sacerdote comunga, todos nós devemos pedir por ele; pedir enquanto ele está a comungar: “Senhor, santificai-o, perdoai-lhe, ajuda-o, protegei-o, abençoai-o, amai-o…”.O que importa é pedir por ele.
A Santíssima Virgem disse:
“Vós correis atrás de todas as aparições, e não é mal…, o ides aos lugares onde apareço, e não é mal, porque recebeis, de facto, muitas graças. Mas tende bem claro: Eu estou ao alcance de todos; mas nunca estou mais presente numa aparição do que na Santa Missa”."

Veio depois do Abraço de Paz e a preparação para a Comunhão.

Quando me deslocava para ir comungar, Jesus disse:”Espera um momento, e observa”.

Estava já quase a receber a Comunhão uma senhora que se tinha confessado de manhã. Eu via-a por trás. E, no momento em que o Sacerdote pôs a Santa Hóstia na boca dela, atravessou-a uma luz forte: saía pelas costas e foi, depois, envolvendo os seus ombros e a sua cara. E Jesus disse:

“É assim que Eu abraço um coração que Me vem receber limpo de manchas, puro,…”

Á volta desta senhora havia uma grande luz…No momento da comunhão, Ele abraça-nos de verdade. Quanto, quanto nos ama Deus!

Á minha frente, estava uma senhora de joelhos. De repente, Jesus disse-me:

“Ouve!”

Ela estava com a boca fechada, mas eu comecei a ouvir como se ela falasse: estava a ouvir a oração dela.
Começou com uma lista mais ou menos assim: “Senhor, por favor, não aguento mais as bebedeiras do meu marido: que deixe de beber! Senhor, pensai no meu filho….não vos esqueçais do meu filho: ele tem de passar de ano, caso contrario é a segunda vez que vai repetir, e Vós não podeis permitir isso, Senhor; tendes de o ajudar! Está a chegar o pagamento da renda, e não vou ter dinheiro suficiente, Senhor…, e o colégio, e a luz…”
Um tempo de silencio…e o Sacerdote disse: Oremos…”Pusemo-nos de pé. E Jesus disse-me em tom muito triste:



“Reparaste? Nem uma só vez Me disse que Me ama; nem uma só vez agradeceu o dom que Eu lhe fiz em vir e dar Minha divindade para se unir á sua humanidade!...”


Eu pedi perdão porque…quantas vezes terei feito o mesmo: pedir e pedir, e não Lhe agradecer, e não Lhe dizer quanto O amo…e quanto preciso d’Ele, e quanto bem me fez recebê-Lo…O benfeitor gosta de receber os agradecimentos das pessoas a quem faz algum favor. Sim, JESUS È O MENDIGO DO AMOR. Diz Ele, numa das Suas mensagens:


“Eu, que Sou Deus, o mendigo do amor…E a única coisa que vos peço é que ameis…Venho pedir o vosso amor; venho á procura do vosso amor…”
Na altura da Bênção, Nossa Senhora voltou a tomar a palavra e disse:
“Presta, por favor, atenção a este momento, e faz o Sinal da Cruz como deve ser: pode ser a última Bênção da tua vida. Não façais uma garatuja qualquer…;recebei com fervor, com respeito e com amor a Bênção que o sacerdote lança em nome da Santíssima Trindade…”."

" Á saída, Jesus disse:

“Fica mais um bocadinho: preciso de te dizer uma coisa: - Vós organizais a vossa vida de forma a terdes um dia para cada coisa: para visitar os familiares; para visitar os amigos,…Programais as vossas férias, o vosso trabalho…Mas, qual é o dia em que, em família, nem que seja uma vez por mês, dizeis: é hoje o dia em que, juntos, vamos visitar Jesus? Vinde e ficai…só vos peço meia hora, na Minha presença. Se não tiverdes nada para Me dizer, ficai calados, ou dizei: Jesus, amo-Vos; quero fazer a Vossa vontade…Não é preciso redigirdes orações. Deixai que Eu olhe para vós, vos anime e vos encha de tudo aquilo de que vos quero encher”."



In Maria Mensajera, nº (nov.2002), Editorial, p.2/5
Tradução original castelhano

Amor de Deus

"...O verdadeiro amor é bem diverso, Minha filha. è como um dom que fazes continuamente só ser amado. E quando um tal ser é o teu próprio Deus, o amor torna-se naquele precioso laço que une a criatura ao Criador, numa forma sublime e imperecível; de tal forma que nem sequer a morte o pode cortar e, menos ainda, todas as contrariedades, todas as penas desta vida conseguem fazê-lo abrandar.
Vês, Minha filha, como o verdadeiro amor é difícil de praticar?
Julgas talvez amar, quando o coração, a transbordar de alegria, o vai expressando com doces palavras de afecto?
Espera um instante, experimenta o sentir-te abandonada, caluniada, contradita ou contrariada, escarnecida, insultada, e pergunta então a ti mesma se, com tais afectos, te sentes feliz em amar o Senhor, porque pensando que todas essas contrariedades te são procuradas e permitidas por Ele Mesmo, para teu bem.
Se assim for, agradece verdadeiramente ao teu Deus.
No teu coração, existe o verdadeiro amor.
És feliz ao rezar e oferecer sacrifícios, quando tens o teu coração a rebentar de fervor e a saúde te é propícia?
Aguarda um pouco. Deixa que o fervor se transforme em aridez, deixa a dor invadir-te da cabeça aos pés, como sucedeu Comigo, sobre a Cruz; e se, apesar disso, souberes dizer:"Senhor, eu amo-Vos!", agradece-Lho de todo o coração.
Tu possuis o verdadeiro amor de Deus.
Mas escuta-Me ainda: dizes que amas a Deus. Lembra-te de que Ele Mesmo está presente em cada uma das Suas criaturas: no pobre, no sofredor, no amigo e no inimigo, no desconhecido que passa através do caminho, no filho, no sacerdote, na mãe, no operário, como também no próprio pecador. Nos bons e nos maus. Deus, por direito exclusivo, encontra-Se presente em todo o homem, por tê-lo Ele Próprio criado; porque a alma, que é o Seu vital sopro, é como que uma emanação de Deus. Está presente porque, pela Redenção, cada homem é chamado a ser filho adoptivo do Eterno Pai. Porque todos os homens são destinados a viver com Ele na Glória.
Pois bem, se tu não amares um só deles que seja, mesmo que seja apenas um só, não amas a Deus, que é seu Pai....Deus é amor por excelência….
"Muito foi o que se te perdoou, porque muito amaste" (lc 7,47)..."

Jesus Cristo falou á vidente JNSR

O Bom e o Mau arrependimento



“A tristeza que é segundo Deus, afirma São Paulo, produz uma penitência estável para a salvação; a tristeza do mundo produz a morte (2 Cor 7, 10). A tristeza pode, pois ser boa ou má, conforme os efeitos que produza em nós. Mas, em geral, produz mais efeitos maus que bons, porque os bons são apenas dois: a misericórdia – o pesar pelos outros – e a penitência – a dor de ter ofendido a Deus -, ao passo que os maus são seis: medo, preguiça, indignação, ciúme, inveja e impaciência. Por isso, diz o Sábio: A tristeza mata a muitos e não há utilidade nela (Ecle 30, 25), já que, para dois regatos de águas límpidas que nascem do manancial da tristeza, nascem seis de águas poluídas”(1).

Essa é a razão por que o demónio faz grandes esforços para produzir em nós essa má tristeza, e, a fim de levar-nos a desanimar, começa por perturbar-nos. Não lhe custa muito sugerir pretextos para isso. Não deveríamos afligir-nos por ter ofendido a Majestade Divina, ultrajado a Beleza infinita e ferido o coração de Deus, o mais terno dos pais?

“Com certeza”, responde-nos São Francisco de Sales.”Devemos entristecer-nos, mas com um arrependimento verdadeiro, não com uma dor mal-humorada, cheia de despeito e indignação. O verdadeiro arrependimento é sempre calmo, como todo o sentimento inspirado pelo bom Espírito: o Senhor não está na perturbação (3 Re 19, 11).Onde principiam a inquietação e a perturbação, a tristeza má passa a ocupar o lugar da tristeza boa.

“A má tristeza” – insiste o nosso Santo – “ deprime e perturba a alma, inquieta-a, incute-lhe temores desmedidos, tira-lhe o gosto pela oração, atordoa e fatiga-lhe a cabeça, impede-a de tirar proveito dos bons conselhos, de tomar resoluções, de formar juízos, de ter coragem, e abate-lhe as forças. Numa palavra: é como um inverno rigoroso que cresta toda a formosura da terra e mergulha na letargia todos os animais; porque priva a alma de toda a suavidade e a deixa paralítica, bloqueando todas as suas faculdades”(2).

Muitos de nós reconhecerão neste sintomas a perturbação em que se deixaram envolver após as suas faltas e estragos que ala lhe causou! Tinham começado a levar a sério a vida espiritual e seguiam resolutamente os passos do Mestre pelo caminho do dever, pela rude encosta do Calvário. Mas, eis que sobrevém uma queda e, com ela, a perturbação! A alma levanta -se sob o amparo do arrependimento e da absolvição sacramental, que tudo vem reparar. Mas nem por isso sossega. Olha-se, examina-se ansiosamente, conta as feridas mal cicatrizadas, remexe-as com receio, infecta-as mais por querer curá-las com despeito e impaciência, “porque não há nada que mais conserve os nossos defeitos do que o desassossego e a pressa em querer expurga-los (3).

Entretanto, o passo vai afrouxando. Já não se corre; anda-se a custo. A pessoa arrasta-se, descontente de si e quase que do próprio Deus, perde a confiança na oração e abeira-se dos sacramentos com medo - até que uma circunstância especial, uma confissão excepcionalmente bem feita ou um retiro, lhe restitui por um certo período o fervor que tivera a princípio. Mas se, decorrido algum tempo após essa renovação, não eliminar essa intranquilidade, uma nova queda ou simplesmente a lembrança das faltas passadas provocará nela um surto de redobrada depressão e melancolia; voltará ao passo cansado e queira Deus que, á força de hesitações e delongas, não termine por cair numa inércia quase sem remédio.”


(1)Introdução á vida devota, IV, 12.
(1) Idem; (3) XIV, 120.
Texto tirado: Não nos perturbemos com nossos defeitos, de Joseph Tissot

A FALSA HUMILDADE

No bom e mau arrependimento.

Para combater com mais eficácia esse desassossego tão funesto, São Francisco de Sales procura descobrir qual a causa habitual, para não dizer única: O amor- próprio egoísta, esse amor com que cada um se busca a si mesmo. Já o havia dito Santa Teresa:

“ Quando há verdadeira humildade, ainda que a alma se reconheça má e por isso esteja triste, essa tristeza não faz acompanhar de perturbação nem inquietação; é um pesar que não produz obscurecimento no espírito nem aridez; ao contrário, consola-o. A alma aflige-se por ter ofendido a Deus, mas por outro lado, dilata-se na esperança de sua misericórdia. Tem luz para doer-se e, ao mesmo tempo, para louvar a Deus, que tanto a tem suportado.

“Não é assim que sucede com a falsa humildade, inspirada pelo demónio: nela , não há luz para bem algum. É como se Deus tivesse posto tudo a sangue e fogo”.(17)
Não é outra a razão pela qual a perturbação após o pecado é um mal tão comum. “Torna-se humilde graças ás misérias próprias” – dizia um sacerdote – “é uma coisa boa que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e perder a paciência á algo em que todos caem, mas é uma coisa má, porque o orgulho sempre leva a melhor nessa espécie de inquietação e despeito”(18). E Frederico Ozanam acrescenta finamente: “ Há duas espécies de orgulho: um que vive contente de si, e é o mais comum e o menos perigoso; outro que anda descontente de si, porque espera muito de si mesmo e se vê frustrado nas suas esperanças. Esta segunda espécie é muito mais refinada e perigosa”.

São Francisco de Sales denuncia em todos os seus ardis este orgulho disfarçado sob mascara da humildade: essa excessiva ansiedade da pessoa não tanto por curar-se como por saber que está curada, para ficar satisfeita consigo mesma; esses secretos despeitos que a impedem de fazer as pazes com a consciência, porque é mais cómodo abandona-la como incorrigível; essas melancolias em que mergulha; essa incessante e obsessiva contemplação das faltas cometidas e de si própria; essa necessidade de lamentar-se mais diante dos homens do que de Deus, com o imperceptível desejo de despertar compaixão. O sábio Doutor põe a descoberto tudo isso e mostra que “todas essas penas se devem a um mesmo espiritual que se chama amor-próprio(19)

“ Um modo de fazer bom uso da mansidão é pratica-la interiormente, procurando não nos irritarmos connosco próprios e contra as nossas imperfeições; porque, embora seja razoável que as nossas faltas nos desgostem, esse desgosto não deve ser amargo nem desabrido, mal-humorado ou colérico……”(20)
“Não devemos confundir o arrependimento com inquietação; é o amor-próprio que gera essa confusões, fazendo-nos sentir pena de sermos imperfeitos não tanto por amor de Deus como por amor de nós mesmos”(22)

“ O amor-próprio é, portanto, uma das grandes fontes de inquietação; a outra é o elevado conceito que temos de nós mesmos…….só desejamos o bem-estar interior, e desagrada-nos ter de reconhecer e tocar com os dedos a nossa miséria, o nosso nada e a nossa fraqueza”(23).

(17) Teresa de Ávila, Livro da vida, 30;
(18) J,-J. Allemand; (19) VI, 261. Colóquio XIV. Do juízo próprio.
(20) Introdução á vida devota, III, 9; (21) VI, 21. Colóquio II. Da confiança; (22) VI, 48 Colóquio III. Da firmeza.
(23) XIII, 29
Texto retirado: Não nos perturbemos – JOSEPH TISSOT